Existe futuro para os restaurantes num mundo com Rappi e iFood?

Olhando como consumidor e espectador do mercado, ver a ascensão de startups, mais ainda as que tornam nossa vida mais fácil é extraordinário. Mas do ponto de vista das marcas de restaurantes? É realmente a melhor estratégia?

É inegável que está funcionando. Principalmente com o formato que o Rappi e UberEats trouxeram. Afinal, se você é um restaurante, você não precisará sequer se preocupar com uma rede de entregadores. Eles chegam até você no momento do pedido. Assim, basta você deixar seu restaurante lá e aguardar os pedidos chegarem.

Percebeu? A descrição acima é tudo menos marketing ou branding. Torna a marca em um elemento passivo: esperar que os pedidos venham. Ta, mas a marca não pode fazer absolutamente nada? Claro que pode: cupons de descontos ou percentuais de descontos para todos. Mas quem conhece o básico de marketing entende que estratégias de preço não criam base para marca. Mais ainda: Chris Anderson mostrou em seu livro Free que esse caminho, além de tender a desvalorizar seu produto, pode se tornar um caminho sem volta.

Não há market share para restaurantes que usam apps de entrega

Assim, além das marcas estarem limitadas a ações estratégicas de varejo barato, temos um outro problema: o cliente nunca é da marca. Digamos que nesse mês, sua marca tenha atendido 1.000 pedidos. Quantos clientes únicos? Quantos retornos? Qual o seu controle? Como criar um relacionamento com o que não existe por concreto? Seu cliente foi o app, no final. Mas sua marca é incapaz de gerenciar um relacionamento com o APP que pode a qualquer instante descredenciar sua marca e seguir em frente.

Ou seja, essas marcas estão dominando o mercado, mas é muito mais que isso: estão dominando os clientes das marcas que elas atendem. Desta forma as marcas podem até apresentar resultados de crescimento de pedidos, mas o principal resultado se tornou alienado: market share e base de clientes. Se seu cálculo de Market Share é baseado em volume de pedidos, seus números estão sem fundamentos. Market Share é o % do mercado que pertence a uma marca. Esse pertencimento não pode ser calculado apenas por volume, mas por participação, controle, relacionamento.

Essa é apenas uma reflexão sobre o assunto, depois vou escrever outros posts sobre isso, mas para a conclusão, gostaria de levantar uma reflexão de outra perspectiva: o mercado os apps.

Faltou espaço para o Glovo?

Recentemente o Glovo deixou o mercado alegando dificuldades na competição e necessidade de maiores investimentos. Natural. Afinal, queria competir com igual formato a outras startups com investimentos sólidos no país, mas a reflexão acima mostra que ainda há espaço no mercado. Afinal, o “Rappi” ou “iFood” que conciliar o interesse das marcas de restaurantes na manutenção e fidelidade de clientes tem um caminho inteiro aberto e detém um dos maiores assets dos apps: conteúdo para oferecer aos clientes.

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